A publicidade que não só vende, mas pode transformar

O blog NLUCON, do ativista LGBTQ+ Neto Lucon, trouxe visibilidade e proporcionou uma reflexão muito interessante sobre a utilidade da propaganda, especialmente nos dias atuais.

Em meio a tantas ações controversas na busca da venda pela venda, mesmo tendo a mesma venda como objetivo ainda, pois não deixa de atrelar a mensagem a um valor da marca que tem afinidade com o seu público-alvo, mas que não necessita de ser tão agressiva ou apelativa.

Com inspiração no clássico da propaganda brasileira “Meu Primeiro Sutiã”, de 1987, a produtora Madre Mia Filmes desenvolveu uma nova versão do filme protagonizado por uma mulher trans.

A história gira em torno de descobertas e desafios de uma jovem que foi designada menino quando nasceu, mas que se identifica com o gênero feminino e é uma menina.

No filme, ela enfrenta os colegas transfóbicos na escola, as pressões do dia-a-dia para tentar se enquadrar no gênero masculino, até que o pai fica sabendo da condição de sua transgeneridade através de um diário com diversas fotografias. Sua primeira reação não é a das melhores, mas, em seguida, algo inesperado acontece e Ludmila é acolhida e ainda ganha um presente.

A forma humanizada, sutil, delicada e responsável que foi planejada e construída a peça nos mostra que é possível sim se conectar com o nicho de mercado que se pretende atingir sem ser degradante a nenhum segmento, proporcionar reflexões, emocionar e ainda, de quebra, consegue criar um buzz marketing com mídia espontânea, virando pauta através da criatividade.

Para completar, o filme é finalizado com um depoimento de Daniela Galvan, mãe de Ludmila Galvan, a protagonista do filme, que foi encontrada após uma pesquisa que buscava alguém com uma história de vida real semelhante a do filme: “Sempre foi uma menina por dentro. Uma menina, mas por fora um menino. Mas ela é uma mulher (…). Seja o que quiserem ser e sejam livres. Não se escondam. Se gosta de ser algo, seja”, declara a mãe.

É interessante refletir também sobre a linha tênue onde se trabalha, afinal, existe uma causa envolvida e seria um grande erro e um tiro no pé buscar utilizar da mesma apenas para vender. Por ser uma peça institucional envolvida com a causa, esta discussão fica mais neutralizada, mas, com cuidado e respeito a todo o processo que se faz necessário, é possível desenvolver uma boa campanha também para um produto ou empresa.

A peça foi desenvolvida para a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA) e a divulgação da campanha na mídia será realizada pela ROIx Content.

Fica a dica para nossos publicitários. Existem novas formas de relacionamento, nichos de mercado pouco explorados e perfis de comportamento a serem compreendidos. O mundo está em constante mudança e as pessoas também. Sejamos parte deste processo evolutivo nestas novas relações de troca, afinal, é dando que se recebe (e não ao contrário).