Despertando a criatividade quando menos se espera

Não é difícil nos depararmos com situações inusitadas onde temos as melhores ideias. Geralmente, ainda, acaba sendo no chuveiro, durante um bom banho relaxante.

Isso não é uma conspiração cósmica do multiverso só pra te sacanear (aliás, nos sacanear, pois me incluo nessa) e as ideias virem somente quando não dá pra anotar ou colocar em prática. Na verdade, agora dá pra registrar tudo com aqueles blocos de anotações a prova d’água e não deixar boas ideias irem pelo ralo. Literalmente.

Mas isso acontece porque a melhor maneira de gerar boas ideias é não se preocupar com elas. E essa geração ansiosa que vivemos, de uma necessidade gritante de constante produção e ter que competir e provar algo pra tanta gente, muitas vezes causa bloqueios criativos que tendem a crescer mais e mais se não forem bem gerenciados.

Se uma ideia é exposta e você mesmo – o autor – não a considera tão boa assim, mesmo que ela seja exaltada e aproveitada, você não se sente satisfeito, pois sabe como ela foi concebida, sem aquele sentimento “eureca”, de real satisfação em reconhecer a boa ideia que se teve.

Somos muito exigentes com nós mesmos e nossas ideias. Sabemos distinguir as boas das ruins e nos decepcionamos pelas ruins e pelas boas mal aproveitadas. Mas não precisa ser assim. Aliás, NÃO DEVE SER ASSIM!

Quem trabalha na área de criação de uma agência de publicidade, empresa ou qualquer departamento criativo de qualquer área consegue se sente representado de alguma forma com a afirmação de que é extremamente raro que as ótimas ideias tenham vindo durante horas e horas insistentes em frente ao computador. Desta forma, Nietzsche estava à frente de seu tempo quando escreveu, “todos os pensamentos realmente grandes foram concebidos durante uma caminhada”. Isso se dá porque quando nos conectamos a necessidade de criar algo, nossa mente fica insistentemente buscando fazer as conexões do que temos de informação no banco de dados do nosso cérebro com a demanda criativa.

Há uma pesquisa que mostra que 5 segundos antes de ter um “momento eureca” há um aumento considerável nas ondas alfa do cérebro que ativam o giro temporal anterior superior, que é o responsável por pensamentos criativos.

Essas ondas alfa estão associadas ao relaxamento, que explica por que você várias vezes tem ideias enquanto caminha, toma banho ou vai ao banheiro.

Então, não adianta pressionar, ficar ansioso, concentrado no relógio, tentando superar ou igualar um prazo anterior quando alcançou aquela ideia perfeita em pouquíssimo tempo, pois nunca as suas condições serão exatamente as mesmas do que aquela vez, porém, existem situações que você pode desenvolver em seu processo criativo que ajude a estimula-la.

Talvez a melhor hora de tomar uma cerveja seria quando você está procurando alguma ideia inicial, pois o álcool ajuda a diminuir sua memória operacional, fazendo que você se sinta relaxado e menos preocupado com o que está acontecendo ao seu redor, e, desta forma, você terá mais poder cerebral dedicado a realizar conexões mais profundas. Por outro lado, pode ser muito difícil que tenha permissão para beber durante o expediente, então podemos pensar em outras coisas também.

A mudança de ambiente – como as caminhadas já citadas – podem ser bem úteis. Se não está sentindo que está chegando em algum lugar nas condições de trabalho momentâneas, faça alguma mudança. Leve o trabalho para outro lugar, dê uma caminhada, faça algo que te destraia e relaxe, que pode ser desde um banho a um cochilo, uma volta no parque a um jogo de videogame.

Deixe sua mente vagar durante um tempo e volte ao trabalho em seguida. Afinal, como disse Pablo Picasso, “a inspiração existe, mas ela tem que te encontrar trabalhando”.